Flagrantes de Assaltos no Centro do Rio se Repetem Dia Após Dia

São centenas de flagrantes registrados de uma única janela. Um empresário ficou indignado e gravou tudo em apenas 17 dias.

Edição do dia 05/01/2016

05/01/2016 21h14 – Atualizado em 05/01/2016 21h14
Flagrantes de assaltos no Centro do Rio se repetem dia após dia
São centenas de flagrantes registrados de uma única janela. Um empresário ficou indignado e gravou tudo em apenas 17 dias.
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Quase oito meses depois de o Jornal Nacional mostrar um homem sendo esfaqueado, durante um assalto, no Centro do Rio de Janeiro, surgiram novos flagrantes da violência, na mesma região. Dessa vez, as imagens foram gravadas por um cidadão indignado.

São centenas de flagrantes registrados de uma única janela. Mas poderia ter sido de muitas outras. Um empresário – que não quer se identificar – ficou indignado e gravou tudo isso em apenas 17 dias, uma tentativa de acabar com os gritos que ele não aguenta mais ouvir.

“Sempre estou escutando ‘pega, pega’. Trabalho aqui há 30 anos no centro”, conta o empresário.

Ele até vê a polícia, mas não enxerga ação, mesmo diante de apelos. “Vejo muita gente ser assaltada e uma hora para. Desde aquela vez que esfaquearam uma pessoa que a Globo filmou, aí deu uma melhorada, a polícia apareceu, ficou presente, mas, depois, tem quatro meses, que abandonou de novo e os pivetes estão fazendo a festa”, afirma.

Um rapaz de bicicleta acompanha a vítima de longe e dá o bote. O cordão vai para dentro da boca. Poucos metros à frente, ele para, cospe o cordão e observa o fruto do roubo.

E não é só quem anda na rua que vira alvo. Em outra ação, o celular se espatifou no chão. Quebrado, o aparelho foi devolvido a dona. Um rapaz vai pra cima de um homem, que tenta reagir. Mas acaba vencido pela violência.

Para atravessar a rua, normalmente, as pessoas olham para o sinal. Muitas vezes, esquecem o que está ao redor e é nesse momento que os ladrões mais gostam de agir. Certos da impunidade, nem sempre eles têm pressa para fugir.

O banco costuma se reunir volta e meia nas calçadas. A rua vira escola do crime. Menores de idade e adultos fazem parte do grupo que ficou reunido por mais de 10 minutos. A pedido do jornal nacional, uma especialista em leitura labial analisou as imagens. Por questões de segurança ela não mostrou o rosto.

Um homem de camiseta vermelha nitidamente dá instruções: “Ele orienta como deve ser o comportamento diante da situação exposta. Agir com violência, sem dó e sem piedade. Orientando como utilizar [armas], como imobilizar e até como atirar”, ela diz.

Em vários momentos, menores e adultos são vistos se drogando no meio da rua.

“Qualquer pessoa que eu veja na rua com cordão e celular, eu aviso. Guarde o celular, guarde o cordão. Dá pena dos turistas”, diz.

Em outras imagens a Guarda Municipal leva um homem para a delegacia. A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social informou que desde dezembro foram recolhidos e encaminhados para a delegacia 74 menores infratores.

Em uma imagem gravada nesta terça-feira (5), sem a presença das autoridades, cidadãos reagem sozinhos.

Nesta terça, à tarde três pessoas foram presas, no Centro do Rio. E um menor foi apreendido.

O Jornal Nacional ouviu autoridades do Rio. Perguntamos o que tem sido feito desde maio de 2015, quando mostramos o flagrante do homem esfaqueado.

“Conseguimos identificar dezenas de adolescentes que atuavam nessa região aqui. Conseguimos efetuar, através dessas informações, 80 operações só aqui no Centro da cidade. Nessas operações, foram cerca de 120 adolescentes apreendidos. E dentro desse trabalho, ainda há novas investigações, novas diligências a serem realizadas para a identificação de outros adolescentes também. As imagens serão analisadas e tentaremos identificar todos eles”, declarou o delegado Alesandro Petralanda, da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente.

“Colocamos policiais militares da nossa agência de inteligência, a paisana, com funcionários da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social. São, em três meses, 69 menores infratores apreendidos, portanto, no cometimento de ato infracional. E também 232 menores encaminhados aos órgãos competentes pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social. O criminoso atua em outros pontos, em que o policiamento não está. Exigindo, muitas das vezes, que esses recursos sejam alocados para outro ponto. Há uma dinâmica no crime, há uma dinâmica no policiamento”, afirmou o tenente coronel Wagner Guerci, comandante do 5º BPM.

Leia mais: http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2016/01/flagrantes-de-assaltos-no-centro-do-rio-se-repetem-dia-apos-dia.html

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